Errei…

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RETORNO

Há algum tempo venho me dedicado ao meu livro, “Me olha, me olha de novo”, e tenho deixado meu blog um tanto quanto abandonado.  Isso tem me incomodado há semanas e, por mais que eu lembre e relembre da necessidade de também estar aqui, o tempo têm me consumo.

Irei retomar minhas publicações e ficar mais próxima de quem me acompanha por aqui.

AH! Mas não vou abandonar o livro não, viu? E por falar em livro, já comprou?

Corre lá na Livraria Kiron e já garanta o seu! Você pode adquirir o e-Book também, pela Amazon. Depois vem aqui me contar o que achou, combinados?

Um beeeijo!

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Desapego

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É engraçado quando a gente desapega . Alguns sentimentos morrem e outros simplesmente sofrem mutação. Mudam, afloram, crescem. O coração é um grande acrobata, elástico, multifuncional. Quisera a memória tivesse a mesma flexibilidade, a mesma paciência, serenidade. A memória sofre e sacrifica aos poucos o coração. Esse coração que se compadece, afaga, resiste e clama por força.

Os olhos expressam todo sentimento desabando aquilo que a memória e o coração carregam, desabando-os em lágrimas. O sorriso, ah o sorriso é o alívio da alma, do coração, da memória, dos olhos… O sorriso é o apaziguador de tudo. É o acalentador do coração, da memória, dos olhos. O sorriso é o espelho do ser, a transparência da alma.

Coisas que me lembram Fred.

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…Suor minava em sua testa e têmporas, ele olhava para todos os lados enquanto as cortinas não se abriam. Sua respiração oscilava e seus olhos jamais buscavam os meus, ainda que eu o quisesse para tentar acalmá-lo. A semana passou correndo e quase não fui capaz de acompanhar seu ritmo entre escolha de figurino, ensaios, falas e mais falas…

Domingo era dia de comer besteiras, extravasar. Nestes momentos as redes de Fast Food me satisfaziam imensamente.

– Conversei com Anne ontem à noite.

– É? E como estão as coisas?

– Ah, ela como sempre está fazendo minha mãe ter mais e mais cabelos brancos.

– Por que?

– Depois que passou no vestibular para veterinária só pensa em festas nas repúblicas, baladas, bebedeira… Eu tentei aconselhá-la mas ela é jovem, não vai me dar ouvidos.

– Mas ser jovem não justifica seus atos. Até porque você nunca foi assim. Pelo menos até onde sei.

– Isso é verdade Fred. Somos diferentes neste ponto. Mas – suspirei – eu bem que em algum momento da minha vida poderia ter feito tudo que ela faz. Quem sabe minhas escolhas e história fosse diferente.

– Não gosta da sua vida?

– Não. Claro que gosto. É que às vezes paramos para analisar alguns fatos da nossa vida e percebemos ou chegamos à conclusão de que poderiam ser diferentes, de fato vividos.

Fred de repente pega as batatas fritas da minha mão e começa a analisá-las sacudindo o pacote.

– O que está fazendo?

– Procurando o entorpecente que você ou o pessoal do fast food colocou nessas batatas. Que viagem Jenn!!

– Por que?

– Porque estamos exatamente onde deveríamos. E, se você está aqui, hoje, comigo, comendo essas batatas, tomando refrigerante, com a tevê ligada sem ao menos saber o que está passando, é por que tinha que ser assim. Talvez se você mudasse suas escolhas, você mudaria em alguns aspectos seu destino, mas talvez se arrependesse e no final, es-
taria aqui, no mesmo lugar, mas cheia de amargura.

Olhei em seus olhos e me senti acolhida. Fred sempre sabia o que dizer, quando dizer e como dizer!

– Você é maravilhoso. Já te disse isso hoje?

Um sorriso que era capaz de irradiar toda minha sala se abriu entre os lábios de Fred. Ele realmente era maravilhoso. Em todos os aspectos. Batatas fritas para mim, desde aquele momento tiveram um novo significado. E esse era mais um item nas “coisas-que-me-lembram-Fred”…

 

Trecho do Livro Me olha, me olha de novo.